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Curiosidades

Buraco negro errante é flagrado destruindo estrela longe de galáxia

Evento brilhou como bilhões de sóis e revelou um gigante escondido a 750 milhões de anos-luz.

Por Redação Tem Papo 06/08/2026 4 min de leitura
Concepção artística de buraco negro distante de uma galáxia rompendo uma estrela

Um buraco negro supermassivo localizado longe do centro de uma galáxia foi identificado enquanto destruía uma estrela. A observação, divulgada pela NASA em julho de 2026, chama atenção porque esses objetos gigantes normalmente são encontrados no núcleo das galáxias. O novo caso aparece na periferia, como um “errante” cósmico.

O fenômeno foi acompanhado pelo observatório Neil Gehrels Swift e por instrumentos em solo. Ele aconteceu em uma galáxia situada a aproximadamente 750 milhões de anos-luz, na direção da constelação de Cetus.

Como um buraco negro destrói uma estrela?

Quando uma estrela passa perto demais de um buraco negro, a diferença da força gravitacional entre o lado mais próximo e o lado mais distante pode despedaçá-la. O processo recebe o nome de evento de ruptura por maré.

Parte do material estelar forma uma corrente ao redor do buraco negro. O gás aquece intensamente, emite radiação e pode produzir um clarão detectável a enormes distâncias. Em alguns casos, uma fração da matéria também alimenta jatos que se movem a velocidades próximas à da luz.

O buraco negro observado tem massa estimada em cerca de um milhão de vezes a massa do Sol. Durante alguns meses, o evento brilhou no ultravioleta com intensidade equivalente a aproximadamente dez bilhões de sóis e chegou a superar temporariamente o brilho de toda a galáxia hospedeira nesse comprimento de onda.

Por que ele é considerado errante?

Buracos negros supermassivos costumam ocupar o centro das galáxias. O novo objeto, porém, foi encontrado na região externa. A existência foi denunciada justamente pelo clarão provocado pela estrela: sem material brilhante ao redor, um buraco negro distante do núcleo pode permanecer praticamente invisível.

A detecção inicial ocorreu em novembro de 2025. O Zwicky Transient Facility, levantamento do Observatório Palomar, registrou uma alteração incomum de brilho. Um algoritmo de inteligência artificial procurava eventos parecidos entre cerca de meio milhão de flashes observados todas as noites e destacou o caso mesmo com sua posição inesperada.

O Swift, da NASA, ajudou a acompanhar a emissão em ultravioleta e raios X. A combinação das observações permitiu confirmar a natureza do evento e testar uma nova forma de procurar buracos negros deslocados.

Como um gigante foi parar fora do centro?

Os pesquisadores trabalham com duas possibilidades principais. Na primeira, três ou mais galáxias teriam se fundido. Seus buracos negros centrais entraram em uma disputa gravitacional, e o mais leve acabou lançado para a periferia.

Na segunda hipótese, uma galáxia anã ainda estaria sendo absorvida por uma galáxia maior. O buraco negro pertenceria originalmente à pequena galáxia, e uma de suas estrelas teria passado perto demais durante a fusão.

Novas descobertas serão necessárias para avaliar qual cenário é mais comum. O caso é um dos poucos buracos negros supermassivos errantes confirmados e sugere que outros podem estar escondidos em regiões afastadas.

O que a descoberta muda?

O resultado valida uma técnica de busca: procurar estrelas sendo destruídas fora do centro das galáxias. Esses clarões funcionam como faróis temporários, revelando objetos que não seriam vistos diretamente.

Nos próximos anos, o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, deve registrar uma quantidade muito maior de eventos transitórios. O telescópio espacial Nancy Grace Roman também poderá ampliar a busca ao observar regiões distantes e olhar para bilhões de anos da história cósmica.

Com mais casos, os astrônomos esperam responder quantos buracos negros errantes existem e como fusões de galáxias reorganizam esses gigantes. A descoberta também demonstra o valor de combinar levantamentos automáticos, algoritmos e observatórios espaciais.

A imagem de capa desta matéria é uma visualização artística criada pelo Tem Papo e não representa uma fotografia direta do evento.

É possível ver esse evento no céu?

Não a olho nu. Embora o clarão tenha sido extremamente intenso, a galáxia está a centenas de milhões de anos-luz. A identificação depende de telescópios, observações em diferentes comprimentos de onda e comparação com imagens anteriores.

O que os instrumentos detectam é a radiação produzida pelo material aquecido, não o buraco negro em si. Como nem mesmo a luz escapa depois de cruzar o horizonte de eventos, astrônomos estudam esses objetos observando seus efeitos sobre estrelas, gás e o espaço ao redor.

Fonte consultada: artigo oficial da NASA, NASA’s Swift Sees “Wandering” Mega Black Hole Shredding Star, e estudo citado pela agência no Astrophysical Journal Letters. Imagem de capa: concepção artística original.